sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

SAUDADE QUE DÓI

Estamos a mercê das novas tecnologias que nos obrigam de uma certa forma, a nos compartilhar com tudo e todos. Pra onde foi a privacidade? Por mais que existam meios dentro das mídias atuais que te assegurem tal coisa, nós fazemos questão de deixar em evidência o nosso dia a dia, passos , vontades, opiniões,desejos e comportamentos.
Me lembro , na época em que receber uma carta de uma namorada era muito mais romântico e cheio de sentimentos. A expectativa de contar nos dedos os dias ,pra ler ( no que geralmente sincero) aquela missiva. Na realidade ali, a privacidade ainda era respeitada. A privacidade pessoal. O dizer de coração sem ter que achar que outros tenham que opinar sobre o que voce sente ou deixa de sentir. Se é aceitável diante da sociedade.
Hipócrita seria eu dizer , que hoje não estou inserido dentro desse contexto " comunitário e coletivo " e obrigatório, de nossas vidas onde todos sabem , as vezes, até mais de nós mesmos!! Pasmem!!!
Os mais velhos , como eu, ainda tiveram o prazer de ter uma infância onde corríamos atrás de bandeirinhas de mato, em ruas de paralelepípedo, nos desviando dos " pegadores " para conquistar o outro lado. De brincar de esconde esconde. De pic- pega! De " pera uva ou maçã? ".
De pedir a benção a seus pais!! De comer a mesa.... Que saudade.
Saudade dos valores e princípios perdidos e esquecidos.
Saudade da vergonha hoje vista como companheira da aceitação.
Saudade do fusquinha 69. e do opalão 72.
Do respeito e da ordem. O futuro e o desenvolvimento não deveriam enterrar essas coisas e inverte-las.
Saudade da música que toca o coração e a alma e não aquela que te incitava a violência e que hoje se escuta e aprova tão normal como liberdade de expressão.
Os jovens de hoje nunca vão entender e sentir. Se sentissem um pouco da alegria que vivemos naquela época talvez quisessem voltar no tempo.
Talvez hoje valorizassem mais seus pais e os valores que ainda em alguns casos se preservam.
Talvez se preservariam mais.
Sinto falta da minha infância e de minha juventude. As vivi bem!! Com todas as alegrias e percalços possíveis.
O sabor do primeiro beijo, da primeira experiência sexual, das primeiras vitórias e prêmios.
Tudo se perdeu, tudo se foi.
O que vivemos hoje, nós experientes e felizes que viveram o melhor de nossas épocas, é uma condição adequada a " nova realidade", onde ou voce se enquadra dentro do atual, ou se reserva ao isolamento.
O mundo mudou tudo bem. Tenho que entender!!
Mais uma coisas é certa. O que vivi em minha infância e minha juventude , não trocaria por trinta anos desta nova realidade fútil, egoísta,mesquinha e preconceituosa que o pós moderno condicionou toda uma geração a viver em função do que acham, ou julgam ,perdendo assim suas identidades e vivendo em função de um " like ", " post " , ou compartilhamento de opiniões quase sempre não confiáveis.

Eu tinha muito medo da morte....hoje tenho medo da vida.

Marcos Carpenter Carneiro 24/01/2014

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